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O Comitê de Política Monetária (Copom) atribuiu a interrupção do ciclo de aperto monetário e a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano na última reunião ao atual cenário de incertezas global. No entanto, o colegiado reforçou a preocupação com as pressões inflacionárias, deixando assim as portas abertas para uma possível elevação no juro básico.
Se por um lado o Copom reconhece que a contribuição do crédito para sustentar a demanda doméstica pode arrefecer de forma mais intensa e que a queda no preço das commodities, em especial no preço do barril de petróleo no mercado internacional, alivia as expectativas para a inflação, o colegiado lembra que a depreciação cambial tem influenciado as pressões inflacionárias.
O colegiado voltou a enfatizar a preocupação com as pressões inflacionárias, deixando claro que vai perseguir a convergência da inflação para o centro da meta em 2009. "A persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política monetária é fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação no Brasil volte a evoluir segundo a trajetória de metas já em 2009", informou a ata.
Para o economista-chefe da corretora Coinvalores, Paulo Nepomuceno, a ata deixou claro que a manutenção na taxa Selic foi um episódio pontual e não uma tendência. "Uma coisa é certa, o Copom eliminou qualquer possibilidade de cortar a taxa Selic no próximo ano. Se não elevar o juro básico na próxima reunião, haverá uma deterioração nas expectativas de inflação", afirma Nepomuceno, que aposta em quatro altas consecutivas de 0,5 ponto percentual na taxa Selic nas próximas reuniões.
O economista do Real Private Banking, Fábio Sustera, acredita que o Copom não aumente a Selic este ano, embora ache que a ata "duríssima e conservadora". "O Copom menciona as incertezas em relação ao grau de contaminação da atividade doméstica pela crise internacional", afirma. Para o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Walter Machado, o colegiado se mostrou "em fase de observação". "O Copom está observando como o cenário externo evolui", diz Machado, que aposta em uma manutenção da taxa na próxima reunião.
Para o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o BC está "de mãos atadas" e, embora reconheça que as pressões inflacionárias devem crescer, não deve elevar os juros.
"Ele não tem como explicar uma alta na Selic em um momento de atividade se desacelerando, crédito escasso e problemas de liquidez. A entidade está em uma posição muito difícil", avalia Lintz. Mesmo com a tendência de alta da inflação, fruto das pressões advindas do câmbio, o economista do BNP acredita que o BC não mexe na taxa. "Ele vai usar o discurso de que a alta inflacionária é temporária para evitar uma elevação na Selic."
O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, faz coro. "Na ata, embora o BC tenha demonstrado preocupação com a dinâmica inflacionária, é marcante no discurso a existência de um cenário de incertezas geral", diz Rosa. "Na dúvida, ele espera para ver como a atividade vai se comportar e também as expectativas de inflação." O economista destacou como importante no documento divulgado ontem, a "mensagem clara do BC de que irá perseguir o centro da meta em 2009".
Fonte: Gazeta Mercantil 07/11/2008
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