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A ameaça do protecionismo preocupa as empresas de serviços. O crescimento do desemprego nos países ricos tem incentivado o surgimento de um discurso nacionalista, contrário ao outsourcing (terceirização para o exterior).
"No cenário atual, existem tentações de voltar ao protecionismo e às políticas isolacionistas", apontou a Global Services Coalition, em carta enviada esta semana ao G-20. "A experiência nos ensina que ações como essas somente acrescentam conseqüências negativas a uma situação que já é difícil."
A Global Services Coalition reúne 14 entidades de todo o mundo do setor de serviços, que incluem a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Os ministros Guido Mantega (Fazenda), Celso Amorim (Relações Exteriores), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) receberam uma cópia da carta na quinta-feira, encaminhada pela Brasscom.
"Diante da crise, resolvemos enviar esta carta, exortando o G-20 a olhar para impedir que o protecionismo barre o crescimento do setor de serviços", explicou Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Brasscom. A carta também pede a retomada das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No mundo, o setor de outsourcing de serviços de tecnologia da informação deve somar US$70 bilhões este ano, acumulando um crescimento anual de cerca de 30%. As empresas brasileiras ainda têm uma fatia pequena do mercado internacional, devendo exportar este ano de US$1 bilhão a US$1,5 bilhão em software e serviços de TI, segundo projeção da Brasscom.
Além da entidade brasileira, assinam a carta representantes da Austrália, Barbados, Canadá, Estados Unidos, Europa, Hong Kong, Inglaterra, Japão, Índia, Taiwan, Trinidad e Tobago e Nova Zelândia. Eles não se restringem ao setor de tecnologia, incluindo associações de serviços financeiros e de serviços em geral.
Os incentivos tributários à exportação conseguidos recentemente, somados à alta do dólar ante ao real, colocam as empresas brasileiras de TI em uma posição única para crescer no mercado internacional, segundo Gil. "Na atual conjuntura, a crise pode ser vista como oportunidade", afirmou o executivo.
Fonte: O Estado de S. Paulo 10/11/2008
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