Empresas devem dar mais atenção à formação do conselho
 


O avanço dos padrões de governança corporativa praticados pelas empresas de capital aberto no Brasil foi evidente nos últimos oito anos. A criação de três níveis diferenciados de listagem pela Bovespa, por exemplo, contribuiu para que o mercado de capitais do País se tornasse mais atraente e seguro para os investidores estrangeiros. Entretanto, o modelo terá de passar por importantes adaptações para dar conta de novos desafios, como o da formação dos conselhos e dos direitos dos acionistas minoritários.

As conclusões são de um estudo da Booz & Company, consultoria que assessora empresas, instituições governamentais e organizações internacionais e cujo conteúdo foi fornecido com exclusividade à Gazeta Mercantil. Outra conclusão do levantamento, que considera um grupo de 15 empresas, - algumas já listadas e outras que se preparam para futuramente acessar o mercado acionário - é a de que não há um modelo ideal de governança corporativa que possa ser aplicado a todas as empresas. "Nossa percepção indica que muitas companhias orientam a criação de sua governança no imediatismo. Isso fica muito claro com aquelas que abriram capital recentemente. Com um mercado aquecido, a pergunta era qual estrutura básica preciso montar para fazer meu IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês)?", afirma o sócio da Booz & Company, Paolo Pigorini. "A empresa só conseguirá organizar uma boa governança quando chega à bolsa e vê o mercado como início de possibilidade de tocar seus planos estratégicos", afirma.

Para o executivo, a governança como ferramenta de criação de valores que levarão à perenidade das companhias tem de ir bem além da montagem de comitês e órgãos formais. "Um bom ponto de partida para instituir um modelo é estimular um debate que resulte em uma estrutura personalizada de governança. Ele deve ser capaz de servir para o setor de atuação e as necessidades básicas das empresas", detalha Pigorini.

DESEMPENHO DOS CONSELHOS
A composição e o desempenho dos diversos conselhos montados nas empresas com ações na bolsa são temas freqüentes em um mercado que pretende criar um ambiente adequado à regra básica da boa governança: pluralidade de opiniões e competências. O caminho para que isso ocorra, no entanto, é bastante complexo na avaliação da Booz & Company. "As empresas precisam decidir o que têm mais peso na composição dos conselhos. Se preferem ter uma maioria de membros de confiança dos controladores nessas estruturas ou gente que possa agregar novas discussões e diferentes pontos de vista", compara Pigorini.

Uma das dificuldades atuais para formar um conselho diversificado está no número reduzido de profissionais preparados para a função, o que acaba fazendo com que muitos estejam em diversas empresas. Há a impressão no Brasil de que o conselheiro tem de conhecer todos os assuntos em profundidade, coisa que não acontece. "Por pensarmos dessa maneira, tentar promover treinamentos para esses profissionais soa quase como uma ofensa. Mas é preciso medir seu desempenho na empresa", diz Pigorini.


Fonte: Gazeta Mercantil
10/11/2008