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Cerca de 80% das empresas nacionais já desenvolveram ou estão em fase de definição de suas diretrizes no longo prazo. Isso significa que os empresários estão pensando mais estrategicamente, não somente no presente como também no futuro.
O dado é da pesquisa "Evolução da gestão estratégica nas organizações brasileiras - 2008", realizada pela 3GEN - Gestão Estratégica.
MAPA ESTRATÉGICO Um ponto interessante do estudo é a quantidade de organizações brasileiras que têm um mapa estratégico como modelo para traduzir a estratégia, base fundamental para o modelo de gestão estratégica. Do universo de respostas, 60% das empresas já estão utilizando ou pretendem utilizar o mapa estratégico.
Das empresas que têm diretrizes estratégicas definidas, 55% já desenvolveram um mapa estratégico e outras 25% estão em processo de desenvolvimento. Isso indica que, entre as empresas que estão pensando no longo prazo a partir da definição de diretrizes, uma grande maioria se utiliza do mapa estratégico como modelo para traduzi-las em objetivos estratégicos, ganhando muito em efetividade de comunicação.
RESULTADOS PREOCUPANTES Alguns resultados da pesquisa são preocupantes. Por exemplo, embora a visão de longo prazo passe a ser uma prioridade para as empresas, a pesquisa revela que muitas delas ainda apresentam dificuldade em transformar a gestão estratégica em uma pauta contínua, na qual a tomada de decisões esteja conectada à estratégia da empresa.
Outro dado preocupante é a tendência de subutilização das metodologias que fundamentam o modelo de gestão estratégica. O uso de metodologias como o Balanced Scorecard depende, necessariamente, de sua integração ao modelo de gestão da empresa, da efetiva aplicação no processo de tomada de decisões e da comunicação da estratégia para todos os níveis, o que, aparentemente, não acontece.
VEJA AS CONSTATAÇÕES: * 37% das empresas que têm mapa estratégico ainda não fazem reuniões de gestão estratégica; * 35%, apesar de realizarem tais reuniões, não o fazem de forma sistemática; * Mais de dois terços das empresas que acreditam ter um modelo de gestão estratégica capaz de mantê-las em linha com a evolução da performance estratégica, na verdade subutilizam o modelo, não avaliando continuamente o desempenho. Em grande medida, isso explica parte da frustração de algumas organizações com o uso de modelos como o BSC (Balanced Scorecard), pois foram corretamente construídos, mas não foram implementados em sua plenitude.
ESTRATÉGIA DEMOCRATIZADA O estudo revela que as empresas despertaram para a importância de todos os funcionários conhecerem suas estratégias. Antes, acreditava-se que elas deveriam ser tratadas somente no alto escalão. No entanto, verifica-se que esse processo ainda é falho. As organizações têm dificuldade de comunicar os bons resultados e as diretrizes de crescimento.
Entre as organizações que têm mapa estratégico, apenas 24% comunicam a estratégia de forma sistemática. Outros 41% comunicam a estratégia, mas não de forma sistemática, e 8% ainda não se preocuparam em desenvolver um plano de comunicação, para garantir que a estratégia seja de conhecimento dos colaboradores.
Isso mostra que realmente há uma preocupação em comunicar as estratégias de forma abrangente para as equipes. As falhas na hora de se comunicar indicam certa desconexão com o fato de que a execução da estratégia é uma das principais preocupações dos executivos, pois, se as pessoas não conhecem a estratégia, não serão capazes de concretizá-la.
A conclusão é que as estratégias das empresas no longo prazo muitas vezes não se concretizam porque estas não conseguem implementá-las, falhando nas etapas de execução.
Fonte: InfoMoney 11/11/2008 |