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A indesejada combinação entre os maus resultados corporativos e as declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, de mudanças na aplicação dos recursos do pacote de ajuda financeira daquele país, mexeu com os humores dos mercados globais. O Ibovespa, carteira teórica composta pelos 66 papéis com maior liquidez, recuou 7,75%, aos 34.373 pontos. O giro financeiro do dia somou R$5 bilhões.
Mesmo após anunciar um lucro de mais de R$10 bilhões no trimestre, as ações da Petrobras estiveram entre as maiores quedas do índice. As preferenciais caíram 13,7% e as ordinárias, 13,2%. De acordo com dados da consultoria Economatica foi a maior perda registrada pelos papéis da companhia desde 14 de janeiro de 1999, quando as ações desvalorizaram-se quase 20%.
Na avaliação do economista do Real Private Banking, Fábio Susteras, um dos motivos que levaram à queda das ações da Petrobras foi o ambiente em que a empresa conseguiu obter seus resultados. "Os dados do balanço foram originados com o barril do petróleo sendo negociado na casa dos US$100. A cotação atual da matéria-prima não tem passado dos US$50", exemplifica Susteras.
Os mercados também reagiram mal ao fato de o Banco da Inglaterra ter reconhecido que o país já vive à beira de um período de recessão. "Essa notícia trouxe um choque de realidade para os agentes do mercado, que estavam trabalhando com alguma euforia ao pacote chinês", diz Susteras.
CÂMBIO PREOCUPA Com o ambiente contaminado pelas incertezas, o câmbio operou bastante pressionado.
Apesar das atuações do Banco Central, o dólar subiu quase 3% frente ao real nesta quarta-feira, acompanhando o forte pessimismo dos mercados acionários globais. A moeda norte-americana fechou a 2,289 reais, em alta de 2,88%. "Lá fora, o medo (da recessão) continua... Isso pesou muito no mercado financeiro em nível mundial hoje", avaliou Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do banco Paulista.
Uma das principais preocupações é a de que esse movimento continue ocorrendo mesmo com as intervenções do Banco Central (BC). "A moeda norte-americana tem a capacidade de provocar efeitos de transmissão da crise", Nicholas Barbarisi, sócio de operações da Hera Investment.
Fonte: Gazeta Mercantil 13/11/2008 |