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O governo estudará novas medidas de socorro a empresas para combater a falta de liquidez no mercado e evitar que os possíveis danos da crise financeira acabem gerando uma onda de desemprego.
A intenção foi manifestada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou a importância de preservar a saúde dos setores automobilístico e da construção civil.
O presidente disse que se reunirá hoje em Washington com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com quem discutirá a possibilidade de novas ações. "Vamos tomar [as decisões] à medida que os segmentos da economia brasileira apresentarem concretamente problemas", disse Lula.
O presidente explicou que os setores "prioritários" são o da indústria automobilística, pelo peso "na cadeia produtiva e no PIB [Produto Interno Bruto] industrial", e o da construção civil, "pela importância que tem na geração de emprego".
No último dia de sua passagem de cinco dias pela Itália, o presidente voltou a alertar para o perigo de a economia ser contaminada pelo medo causado pela crise financeira. O presidente listou uma série de medidas tomadas pelo governo para evitar que a crise paralise a economia, mas afirmou que conter o "pânico psicológico" está fora de seu alcance.
"Se todo dia falarmos de crise e criarmos terrorismo, o que acontece? O consumidor que estava querendo comprar um carro, uma geladeira, ou uma televisão [muda de idéia]", disse Lula. "Na hora em que o consumidor pára de comprar, aí a crise começa a chegar à economia real".
IRRIGAÇÃO Entre as medidas tomadas pelo governo para estimular a economia, Lula citou o aporte de recursos para que o BNDES financie grandes empresas, a ajuda para a indústria automobilística e a injeção de crédito com as mudanças no recolhimento do imposto compulsório "para que o sistema financeiro tenha dinheiro para irrigar o crédito na economia".
Segundo o presidente, o governo tem recebido sinais das empresas de que os seus investimentos já programados serão mantidos. Garantiu que o mesmo ocorrerá com os projetos do governo, como as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e os planos da Petrobras em pesquisa e prospeção de petróleo.
"Vamos acompanhar a crise diariamente e, à medida que for necessário, ajudar este ou aquele setor da economia", disse o presidente, pouco antes de embarcar rumo a Washington. "Vamos tomar as medidas cabíveis para que o medo psicológico deixe de tomar conta das pessoas, e as pessoas voltem a comprar. Se a gente parar, a crise chega de verdade."
Fonte: Folha de S.Paulo 14/11/2008 |