SP corta investimentos em saúde e eleva em transporte
 


Pelo segundo ano consecutivo, o governador paulista e potencial candidato à Presidência, José Serra (PSDB), diminuiu a previsão de investimentos em saúde no Orçamento do Estado. Em relação ao estimado para este ano, a redução será de 8,7% na peça de 2009, já enviada à Assembléia.

Em contrapartida, a área de Transportes (descontada as autarquias, as empresas estatais e a região metropolitana) deverá ter um incremento de 165% nos investimentos, capitaneados por um programa de alta capilaridade eleitoral: as obras de melhorias na estradas vicinais paulistas e nas vias de acesso aos municípios.

Na Saúde, a administração direta do Estado prevê investir R$320 milhões no ano que vem, contra R$351 milhões de 2008, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Em Transportes, o salto é R$1,7 bilhão para R$4,5 bilhões.

De 2007, ano do primeiro Orçamento elaborado pela gestão Serra, para 2008, a redução nos investimentos em Saúde havia sido de 27%. Nas últimas três eleições que disputou - 2002, 2004 e 2006 -, o atual governador enfatizou sua passagem pelo Ministério da Saúde durante a passagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pelo Planalto (1995-2002).

O governo paulista diz que, no geral, o montante destinado à Saúde no Orçamento vai crescer 20% em 2009 - de R$10,2 bilhões para R$12,3 bilhões - e que o valor reservado para investimentos é menor porque nos anos anteriores o Estado executou obras importantes.

Quando comparado ao total de investimentos do Estado para 2009 - R$18 bilhões -, a fatia da Saúde representa apenas 2%. Já no caso dos Transportes, a relação é de 25% do total.

Dentro dos gastos da Saúde no Estado, uma das principais reduções relativas aos investimentos foram no Hospital das Clínicas da capital, de R$6,6 milhões para R$5 milhões, também a exemplo do que já havia ocorrido em 2008.

PACOTE DO TRANSPORTE
Até 2010, ano da eleição presidencial, o governo paulista deve investir pelo menos R$10 bilhões em transportes se somadas as empresas estatais do setor e as autarquias, além da Secretaria do Estado dos Transportes Metropolitanos, que terá incremento nas suas verbas no Orçamento de 2009.

As vitrines, além do recapeamento das estradas, serão o trecho sul do Rodoanel e a ampliação do metrô paulistano.

Estudo da liderança do PT na Assembléia aponta que a peça orçamentária privilegia os gastos em obras de visibilidade eleitoral em detrimento das áreas de saúde e de educação, o que o Estado nega. Segundo o governo, 71% do Orçamento é destinado ao social em 2009.


Fonte: Folha de S.Paulo
17/11/2008