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O agravamento da crise internacional não tem preocupado apenas economistas e analistas do mercado de capitais. Auditores e contabilistas também têm vivenciado muitas discussões, que surgem, principalmente, da necessidade de combinar a adoção de novas normas contábeis internacionais, princípios de Basiléia II e o alto nível de estresse.
Por isso, as principais empresas de auditoria e contabilidade com atuação globalmente têm intensificado os debates sobre os impacto dos recentes acontecimentos. Uma das preocupações é a de que pressões políticas em meio à crise possam representar um retrocesso na adoção do International Financial Reporting Standards (IFRS). Durante a reunião do G-20, realizada no último fim de semana, foi elaborado um documento em que são solicitadas maiores informações sobre como aplicar parâmetros de contabilização para medir o valor de mercado de ativos. O assunto tornou-se polêmico com bancos e empresas em dificuldade. "O que a ata do G-20 pede é um maior detalhamento e instruções adicionais para que se possa calcular o valor de mercado de ativos que hoje não têm mais liquidez", afirma Gregory Gobetti, sócio da Ernst & Young no Brasil. "O fato é que já existem diversos documentos que explicam como chegar a esse cálculo. Esperamos que as pressões políticas não descaracterizem o IFRS, trazendo pisos, tetos e receitas prontas", critica.
A elevação das pressões políticas da União Européia já surtiu efeitos. Em agosto, o International Accounting Standards Board (Iasb), órgão que edita as normas contábeis globais, flexibilizou o IAS 39, que trata de classificação de instrumentos financeiros. Ficou permitido que os bancos em dificuldade possam colocar os ativos em baixa em um grupo específico criado para isso. "A aplicação das normas está ocorrendo em um ambiente muito complicado, mas a sinalização de que o valor de mercado continuará sendo adotado nos tranquiliza de alguma maneira", diz o sócio de serviços da Ernst & Young no Reino Unido, Anthony Clifford.
Esforços conjuntos
Clifford, que veio ao País para participar hoje de uma rodada de discussões da Ernst & Young com representantes do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), diz acreditar que o ideal para bancos que se preparam para reportar demonstrativos contábeis em IFRS é aproveitar os esforços já dispendidos na aplicação dos princípios de Basiléia II. "Alguns bancos ingleses conseguiram concentrar esforços em um projeto integrado, o que ajuda a reduzir custos e melhorar a capacidade do uso dos sistemas utilizados pelas companhias", diz ele.
No Brasil, o processo de migração às novas normas caminha lentamente. As empresas aguardam o processo de regulação da lei 11.638 para adotar as IFRS. Um dos assuntos que ainda gera incertezas diz respeito aos possíveis efeitos tributários com o uso do modelo. A Receita Federal ainda não se manifestou sobre o tema. A expectativa é de que o faça até o final do ano com a edição de uma medida provisória (MP) que opte pela neutralidade fiscal.
Na Inglaterra as empresas podem preparar balanços paralelos das contabilidades local e internacional e escolher o modelo pelo qual recolherão seus tributos.
Fonte: Gazeta Mercantil
19/11/2008
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