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Ainda longe de definirem quem serão seus candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, petistas e tucanos já escolheram o principal tema da pré-campanha eleitoral: a atual crise do sistema financeiro.
Em eventos realizados no final de semana em São Paulo, líderes como os petistas Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, e Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, e o tucano Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, orientaram os prefeitos e vereadores eleitos de seus partidos sobre como atuar eleitoralmente em um cenário de crise.
Os tucanos deixaram claro que enxergam nas prováveis dificuldades a serem enfrentadas pelo governo federal petista uma janela de oportunidades para seu candidato em 2010, seja ele o governador José Serra (São Paulo) ou seu colega Aécio Neves (Minas Gerais).
Em jantar reservado que terminou na madrugada de anteontem, Serra e FHC avaliaram que a crise atingiu o "coração do sistema capitalista" e deverá ter seus efeitos sentidos com mais intensidade no Brasil no ano que vem, o que obrigará Lula a "descer do palanque para governar".
Para eles, o PSDB não deve apostar no "quanto pior, melhor", mas será "agressivo" na fiscalização das ações de Lula.
Anteontem de manhã, falando a uma platéia formada por cerca de 400 militantes tucanos, o ex-presidente foi enfático: "O PSDB tem que dar apoio às medidas necessárias, mas não um cheque em branco". E foi irônico: "Nosso presidente, que é um grande economista, foi o primeiro a difundir esta teoria: aqui é uma ilha, se vier [a crise], vem marola. (...) Nós sentimos já o efeito da crise sob duas formas: a questão financeira, porque os bancos tiveram problemas, e a diminuição da exportação".
Para o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, "a crise eliminou o excesso de otimismo". "O presidente não vai ter nenhuma ilusão para prometer. Tem é um governo para governar."
Serra se disse "preocupado". "Na esfera do Estado trabalhamos para que a crise seja minimizada, inclusive mantendo os investimentos", afirmou ele.
SEM PÂNICO A ministra da Casa Civil, nome mais cotado no PT para disputar a sucessão de Lula, procurou tranqüilizar os prefeitos eleitos de seu partido no Estado - 64 -, onde ela precisa aumentar seu apoio interno.
"Nós não quebramos e não vamos quebrar. Somos parte da solução. Vamos manter o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e os investimentos no pré-sal (petróleo)", disse a ministra.
O ex-ministro da Fazenda e deputado federal, Antonio Palocci foi na mesma linha.
Fonte: Folha de S.Paulo 24/11/2008 |