Socorro ao Citi faz Bovespa subir 9,4%
 


O mercado financeiro iniciou a semana em ritmo forte. A Bovespa teve um pregão de expressiva valorização: subiu 9,40%, embalada pela recuperação dos papéis da Petrobras, Vale e bancos. O dólar se depreciou em 5,41%, vendido a R$2,325 no fim das operações.

Os investidores se animaram com o socorro do governo americano ao Citigroup. A alta do petróleo, que se apreciou em 9,15% em Nova York, também desempenhou papel relevante nos pregões. Ontem, o mercado também conheceu a equipe econômica do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

Em Wall Street, o índice Dow Jones teve alta de 4,93%. Em Frankfurt, a alta da Bolsa foi de 10,34%; Londres subiu 9,84%.

"Ainda é cedo para comemorar e agir como se o mercado estivesse entrado em uma nova tendência. A volatilidade vai continuar e nada garante que o mercado não volte a piorar. A recessão global ainda vai ter grande impacto sobre os ativos financeiros, que continuarão reagindo aos dados econômicos", afirma Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora.

Com as commodities em alta no mercado internacional, as companhias de maior peso do índice Ibovespa terminaram o pregão com forte valorização.

Além de Petrobras PN (ação mais negociada da Bolsa), que subiu 13,85%, destacaram-se Vale PNA, com alta de 12,96%, CSN ON (mais 16,25%) e Gerdau PN (mais 9,34%).

BANCOS EM ALTA
O setor bancário, que apesar dos lucros elevados que tem apresentado segue com grande depreciação em suas ações, também aproveitou a melhora externa para respirar ontem.

Entre as maiores instituições financeiras brasileiras, o papel Unibanco UNT ficou no topo dos ganhos do pregão, com valorização de 17,54%, seguido por Itaú PN (que ganhou 15,85%), Bradesco PN (12,68%) e Banco do Brasil ON (9,55%).

Na Bolsa de Nova York, os papéis dos bancos foram os que puxaram os ganhos no dia: Citigroup avançou 57,8%; Bank of America ganhou 27,2%; e JPMorgan Chase subiu 21,4%.

Com as muitas incertezas que ainda rondam a economia mundial, os analistas não ousam prever nem se a Bolsa irá subir hoje. A cada apresentação de indicadores que dêem sinais de desaceleração da economia mundial o mercado pode se animar ou voltar a derreter.

Amanhã, a divulgação do índice de gastos pessoais dos consumidores americanos em outubro vai concentrar as atenções dos investidores. Esse dado é um importante sinalizador do ritmo em que anda a maior economia do mundo.

ANO DE PERDAS
A alta de ontem serviu apenas para aliviar um pouco as perdas acumuladas nos últimos tempos no mercado doméstico. O momento do mercado acionário é tão difícil que os fortes ganhos da Bovespa de ontem não foram suficientes nem para que recuperasse a queda acumulada na semana passada (que foi de 12,68%). No ano, o Ibovespa tem baixa de 46,48%.

O mesmo vale para o câmbio. O dólar ainda computa apreciação de 7,64% diante do real no mês e de 30,84% no ano. As atuações do Banco Central apenas têm ajudado a segurar um pouco a elevação da moeda norte-americana. Quando o cenário externo não ajuda, o real tem encontrado dificuldades para recuperar um pouco de seu valor. Ontem, a autoridade monetária leiloou US$2,16 bilhões em contratos de "swap" cambial - títulos que pagam aos investidores a variação da moeda americana.

"Os investidores devem continuar com um alto grau de retração e aversão ao risco, reagindo com bastante pessimismo às más notícias da agenda macroeconômica", diz Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK.


Fonte: Folha de S.Paulo
25/11/2008