Brasil é o mais bem preparado para enfrentar a crise, diz Lula
 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou ontem uma reunião ministerial para discutir os impactos da crise financeira mundial. Depois de um debate ocorrido à tarde, Lula foi o último a falar e disse que o objetivo era que os ministros pudessem ter um panorama mais preciso do País e do mundo, dos possíveis rumos da crise e das medidas que devem ser tomadas para combatê-la.

Ao final da reunião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um resumo das discussões. Segundo ele, Lula falou muito de suas impressões sobre a reunião do G-20 - grupo que reúne países desenvolvidos e emergentes - ocorrida no último dia 15, em Washington. Lula relatou que os chefes de Estado concluíram que a crise é grave e requer medidas urgentes. O presidente destacou que as medidas para reduzir seus efeitos passam, principalmente, por políticas anticíclicas.

Lula citou ainda o pacote editado pelo governo chinês que injetou US$600 bilhões na economia daquele país, o que equivale a 12% do Produto Interno Bruto (PIB) da China.

Mantega informou que o presidente Lula considerou que o Brasil está em melhor condição de enfrentar a crise que outros países emergentes, entre eles a Coréia do Sul e a Rússia. "O Brasil se preparou melhor. Estamos colhendo os frutos que plantamos. Fizemos reservas e nossas reservas foram até criticadas. Mas preferíamos ser credores em dólar do que ser devedor em dólar", disse o ministro, concordando com Lula. Mantega também afirmou que Lula ficou satisfeito com o panorama econômico brasileiro traçado por ele próprio e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na reunião ministerial.

Mantega voltou a afirmar que o Brasil não está tão vulnerável à crise econômica quanto os países desenvolvidos. "Há uma contaminação da visão que temos por aqui. Como lá fora a situação é crítica, é de redução do nível de atividade, de desemprego aumentando, muitas vezes somos contaminados como se o Brasil estivesse nas mesmas condições. O Brasil não está nas mesmas condições", disse o ministro aos jornalistas, ao sair para o intervalo de almoço.

De acordo com Mantega, o Brasil e outros países emergentes não entrarão em recessão, e para eles o impacto da crise será temporário e restrito a uma desaceleração. "Não haverá recessão, haverá uma desaceleração - e passada essa conjuntura até estaremos em condições favoráveis para assim continuarmos crescendo", projetou o ministro. Quanto aos gastos públicos que têm sido questionados por analistas, Mantega disse que a situação fiscal é robusta, e, como Meirelles, afirmou que o superávit primário - economia que o governo faz para honrar seus compromissos financeiros, inclusive o pagamento de juros - é o melhor da série histórica e que deve continuar assim.

Mantega lembrou que a dívida pública caiu a 37% do Produto Interno Bruto (PIB) por conta do dólar e que o Brasil é credor na moeda norte-americana. "Estamos quase fazendo superávit nominal", comemorou.

PREOCUPAÇÃO COM OS EUA
Nem tudo, porém, foram rosas na reunião. O presidente Lula manifestou preocupação com o "vácuo de poder" que existe nos Estados Unidos atualmente, ainda segundo relatos de Guido Mantega.

De acordo com o ministro, Lula avalia que o atual presidente já não tem mais possibilidade de tomar as medidas necessárias para lidar com a crise financeira, e o novo presidente, que tem autoridade e prestígio, ainda não assumiu.

Mantega afirmou que a antecipação que Barack Obama está fazendo de sua equipe econômica pode ajudar e elogiou a nomeação do presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, Timothy Geithner, para a secretaria do Tesouro. "Ele está envolvido no plano de recuperação da economia americana, já tem uma intimidade com o que está sendo feito, e é um homem de confiança dos democratas", disse.

SUPERSIMPLES PRORROGADO
O ministro da Fazenda também aproveitou a coletiva sobre a reunião ministerial para informar que pediu a estados e municípios que prorroguem por 60 dias a cobrança do Simples, como forma de aliviar a pressão nas empresas em função da crise. O ministro, porém, descartou o anúncio de novas medidas para combater a crise. "O governo não vai anunciar nenhum pacote. O que está sendo feito é responder a questões que se colocam", afirmou Guido Mantega.

Essa foi a terceira reunião ministerial de 2008 e a primeira em que Lula reúne toda a equipe, desde o início da crise financeira mundial.

Também participaram dos debates os senadores Roseana Sarney, líder do governo no Congresso, e Romero Jucá, líder do governo no Senado; e o deputado Henrique Fontana, líder do governo na Câmara. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não participou do encontro, pois cumpria agenda no exterior.

Lula disse na reunião ministerial de ontem que o Brasil está em melhores condições para enfrentar a crise do que outros emergentes.


Fonte: DCI
25/11/2008