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Diante de um cenário de previsões incertas para 2009, as empresas brasileiras optam por um plano conservador na formulação de seus orçamentos. Isso significa redução de investimentos; contenção de gastos e muita prudência até a economia voltar a reagir. "O que se sabe é que a maior parte delas [empresas] trabalha com três cenários. Não apenas o plano A e B, mas também o C", disse Gabriel Rico, CEO (Chief Executive Officer) da Amcham (Câmara Americana de Comércio), ontem durante o Seminário "O Brasil e a Crise Internacional: Prioridades para a Ação".
Segundo Rico, as dúvidas sobre os rumos da turbulência financeira que abateu o mundo, tornam difícil a tarefa de fazer uma única estratégia de atuação para o próximo ano. Por isso, a solução é se preparar para enfrentar três situações diferentes: a de um certo otimismo, a de desaceleração sem maiores impactos e uma última, de descontrole da economia nacional.
"Falta unanimidade sobre o que está acontecendo e todos estão repensando seus negócios. Por causa do desaquecimento, as empresas já trabalham com o plano B", explicou Alexandre Silva, presidente do Conselho Executivo da Amcham.
Mesmo com a prevalência do comportamento de resguardo e cautela para previsões financeiras das empresas, o corte no número de vagas é sempre uma alternativa para diminuição de custos. Rico, entretanto, destacou que as demissões não estão sendo feitas no 'afogadilho'. "Pelo que temos visto, os empresários tem sido incrivelmente prudentes e tentando preservar ao máximo os empregos", disse. "Se tivéssemos uma reforma trabalhista instaurada, teríamos condições de preservar mais empregos ou até gerar outras vagas", contou. "Essa reforma urge, mas infelizmente não estamos vendo-a na agenda política", completou o executivo.
No contexto de desgaste das empresas no confronto com o planejamento de seus orçamentos, o professor da Universidade de São Paulo, Jacques Marcovitch, recomendou preservar as competências críticas dentro das organizações. Essas escolhas, segundo o professor, serão determinantes para o momento de retomada da economia.
Mas a atuação dos empresários depende, no entanto, das dificuldades e da dinâmica de cada um dos setores da economia. Representantes de segmentos mais atingidos pela crise, como a construção civil e a indústria automobilística, participaram do seminário e apresentaram um pouco das expectativas futuras frente às dúvidas de 2009 e os desdobramentos do colapso financeiro mundial.
No caso da construção pesada, Marcelo Odebrecht, presidente da construtora Norberto Odebrecht, disse durante o evento, que a crise teve efeitos de ajuste de demanda e oferta. "Estamos respirando um pouco aliviados", afirmou. A infra-estrutura, segundo ele, vive um momento ímpar, quando é alvo de investimentos nunca antes vistos. "Para ter uma idéia da ordem de grandeza do que estou falando, na nossa empresa nos trabalhávamos com contratos conquistados a três anos no valor de US$3 bilhões e agora são US$20 bilhões. Tínhamos 10 mil pessoas trabalhando, agora são 90 mil", contou.
Apesar do volume de demanda e investimento originado de governos de várias partes do mundo, o empresário chama a atenção para o que considera um motivo para 'sinal amarelo': a queda no preço das commodities. Esse movimento da economia, segundo Odebrecht, pode significar um retrocesso forte nos investimentos, como por exemplo, em portos. Para ele, a alta de commodities é positiva para o País. "O Brasil mais do que se beneficia quando o petróleo sobe", afirmou.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, disse durante o seminário que, apesar do desaquecimento da economia, os investimentos diretos (US$23 bilhões) para o setor foram mantidos. Falando em nome de um dos setores mais atingidos pela retração do crédito, Schneider afirmou que os efeitos dos recursos de liquidez liberados pelos bancos estatais para as financeiras das montadoras não é automática. Segundo ele, a ajuda do governo ainda não chegou à ponta, ao consumidor, mas já é possível perceber um movimento de recuperação nas concessionárias.
"O ritmo de vendas de veículos deve voltar ao patamar de antes da explosão da crise financeira internacional até o fim do ano", destacou o executivo. Schneider, porém, vê com um pouco de pessimismo a possibilidade das vendas acumuladas no ano consigam ultrapassar a casa de três milhões de unidades.
Diante de um cenário de previsões incertas para 2009, as empresas brasileiras possuem três planos em seu cardápio de opções para formular seus orçamentos. Até agora, porém, optam por um plano conservador que, na prática, significa: redução de investimentos, contenção de gastos e muita prudência até a economia voltar a reagir.
Marcelo Odebrecht, presidente da construtora Norberto Odebrecht, diz que a queda do preço das commodities pode acender um 'sinal amarelo', pois significa um retrocesso forte nos investimentos.
Fonte: DCI 26/11/2008 |