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Em um cenário de taxas de juros médias de 42,9% cobradas pelos bancos no mês de outubro, ante 40,4% em setembro, o Banco Central pede cautela ao brasileiro na hora de fazer empréstimos. Apesar da queda na concessão de novas linhas de crédito para empresas e pessoas físicas, pela média diária, de 7,3% em outubro deste ano, o indicador voltou a subir em novembro. "Cuidado. Comprem à vista", enfatizou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, apesar de a maior alta ter vindo das taxas aplicadas às empresas, que tiveram alta de 3,3 pontos percentuais.
Dados do Banco Central mostram que, para pessoa física, a taxa média de outubro cobrada pelo sistema financeiro foi de 54,8% ao ano e é a mais elevada desde julho de 2006, quando somou 55,8% ao ano. Já para as empresas, o indicador ficou em 31,6% ao ano em outubro, o maior valor desde dezembro de 2005. Em setembro, o juro registrado para as empresas foi de 28,3% ao ano.
Por sua vez, no dia 12 de novembro, a taxa média geral dos bancos já havia avançado para 45% ao ano, o maior valor desde outubro de 2003. "Em momentos de estresse, os bancos ficam mais conservadores e sobem os juros", justificou Lopes. O conservadorismo dos bancos é demonstrado pelos dados do BC. No caso das concessões pelo estoque total, houve uma queda de 3% de setembro para outubro. Em setembro, R$162 bilhões foram emprestados, volume que recuou para R$157 bilhões em outubro. Para empresas, a contração do crédito, pela média diária, foi de 7,1% em outubro, sendo que as linhas de capital de giro tiveram um recuo de 13,8% nas concessões e, no caso do financiamento às exportações, a queda foi de 11,8% no mês passado.
Para as pessoas físicas, o recuo na concessão de novos empréstimos foi de 7,7%, pela média diária, no mês passado, sendo que o crédito pessoal teve queda de 13,7%. No cartão de crédito para pessoa física, os novos empréstimos caíram 4,8% em outubro e, para a compra de veículos, despencaram 39,9%. No caso do cheque especial, os novos empréstimos tiveram aumento de 1% no mês passado.
Por outro lado, observando os juros cobrados das pessoas físicas, a taxa média do cheque especial somou 170,8% ao ano em outubro. Com isso, atingiu o maior valor desde julho de 2003 (173,9% ao ano). Para o crédito pessoal, a taxa avançou para 57,4% ao ano no mês passado e, para a compra de veículos, para 34,1% ao ano.
Lopes explicou que a subida dos juros cobrados pelos bancos está relacionada principalmente a dois fatores: ao aumento dos juros básicos da economia, determinados pelo BC, que aconteceu entre abril e outubro deste ano; e à crise financeira internacional, que gerou certa escassez do crédito e tornou os bancos mais conservadores na concessão de novos empréstimos. "Houve uma retração muito forte na concessão de crédito no início de outubro. Mas, ao longo do mês, o que se observou é que o crédito voltou e mostra sinais de recuperação. Após um período de estagnação, tivemos recomposição bastante forte", avaliou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
Segundo ele, os dados parciais de novembro mostram que as novas concessões crescem de forma "bastante razoável". Lopes acrescentou, porém, que as novas concessões ainda não atingiram o patamar pré-crise financeira, mas disse que já estão "próximas disso". "As instituições financeiras se mostram mais conservadoras, tanto que os juros estão mais elevados. As instituições financeiras concederam menos crédito, mas o volume continua a crescer", concluiu.
Os bancos aproveitaram o momento para aumentar a sua margem de lucro. Segundo levantamento do BC, o spread para pessoa física aumentou 1,1 ponto percentual, para 39,7 ponto percentual. Houve alta do spread bancário para pessoa jurídica, de 2,8 pontos percentuais, para 17,5 pontos. Contando os dois, o spread geral passou de 26,4 pontos percentuais para 28,4 p.p.
A inadimplência geral dos empréstimos com recursos livres subiu de 4% para 4,1% de setembro para outubro, segundo o BC. No segmento pessoa jurídica, o índice de atrasos em pagamentos superiores a 90 dias subiu de 1,6% para 1,7%. E, na pessoa física, de 7,3% para 7,4%.
SALDO Mesmo com o recuo na concessão de novas linhas de crédito em outubro, o volume total ofertado pelo sistema financeiro às empresas e pessoas físicas continuou crescendo. No mês passado, o aumento foi de 2,9%, para R$1,187 trilhão. Com isso, o volume de crédito concedido no mês passado atingiu o pico de 40,2% do Produto Interno Bruto (PIB), recorde histórico. A expectativa dos técnicos do Banco Central era atingir essa meta no fim do ano.
Apesar do aumento esperado no crédito, o volume ofertado pelos bancos, na proporção com o PIB, ainda estará abaixo do de outros países, como Chile, México e Estados Unidos, que têm um volume de crédito bancário superior a 60% do PIB.
Fonte: DCI 26/11/2008 |