Dólar recua 2,32% em dia mais calmo
 


Após subir 1,68% na máxima do dia, o dólar fechou com forte desvalorização de 2,32%, vendido a R$2,272, seguindo a melhora de humor das praças internacionais. Para o gerente financeiro da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar Batista, o forte fluxo de investidores estrangeiros aliado ao bom humor externo explicam essa queda. "Mas enquanto permanecerem as incertezas, o mercado seguirá volátil e o Banco Central seguirá atuando para controlar as oscilações", avalia.

Ajudou na baixa do dólar o anúncio de corte na taxa de juro da China por permitir a recuperação no preço das commodities. O otimismo com a formação da equipe econômica do presidente-eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e o novo pacote de ajuda ao setor imobiliário de US$800 bilhões também contribuíram com o clima mais tranqüilo. Nesta tarde, Obama confirmou o nome do ex-chairman do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Paul Volcker, para o comando do painel de conselheiros econômicos no próximo governo. Além disso, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, anunciou um plano de €200 bilhões, o que representa cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Européia, para estimular a economia da região.

A queda da moeda norte-americana favoreceu um ajuste para baixo na curva de juros futuros, no entanto, o volume de negócios continua reduzido diante da cautela dos investidores que ainda estão inseguros para assumir novas posições. Na BM&F Bovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010, o mais líquido, com 148,2 mil negócios fechados, caiu de 14,65% para 14,57% ao ano.

Para profissionais, o mercado continua bastante volátil e assim deve prosseguir nos próximos dias com os investidores temendo uma recessão global. Segundo o departamento econômico do Banco Fator, a queda recente da inflação ajudou a melhorar a renda real disponível dos norte-americanos.

No front doméstico, as atenções se voltaram para a elevação de 0,49% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). O economista chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, diz que, apesar de não ser um quadro confortável com a inflação, a perspectiva de desaceleração da atividade econômica ao longo dos próximos meses, e a queda dos preços das commodities, deve beneficiar uma diminuição da inflação em 2009. "A dúvida que persiste é o efeito da taxa de câmbio", afirma.


Fonte: Gazeta Mercantil
27/11/2008