Crise abre janela para resgate de bônus
 


A crise no mercado financeiro internacional trouxe a oportunidade para as empresas que estão capitalizadas recomprarem parte de suas bônus no mercado externo a um custo mais barato.

A BRMalls anunciou na segunda-feira que sua subsidiária BRMalls International Finance Limited irá realizar oferta pública de recompra de seus bônus perpétuos no exterior, no montante equivalente a US$30 milhões de valor de face, montante que poderá ser estendido de acordo com as condições da operação. A empresa havia emitido US$175 milhões em bônus perpétuos em novembro do ano passado, com pagamento de juros semestrais de 9,75% ao ano.

De acordo com o sócio-diretor da Queluz Securities, Carlos Gribel, o preço dos papéis da empresa caiu muito no mercado secundário, chegando a ser negociados com deságio de 50% de seu valor de face. "O preço dos bônus recuou muito desde agosto deste ano, com os investidores institucionais, como os fundos de pensão, migrando suas aplicações para ativos de menor risco como títulos do Tesouro norte-americano (treasuries) ou mesmo vendendo os papéis para levantar recursos para seus caixas."

O Banco Pine também aproveitou o momento para antecipar parte do resgate dos bônus que estão vencendo no curto prazo. A instituição já recomprou cerca de 10% dos US$ 150 milhões em dívida externa com vencimento em julho de 2010. "O cenário de turbulência faz com que os investidores institucionais tenham que vender suas posições e torna a recompra atrativa", afirma Clive Botelho, vice-presidente do banco, em teleconferência a analistas.

As empresas brasileiras têm US$2,22 bilhões em bônus e emissões de médio prazo (Mid Term Notes) com vencimento entre outubro deste ano e março de 2009, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

O diretor da BCP Securities, Samy Podlubny, destaca que o custo das captações externas subiu muito de agosto para cá, e que o mercado de bônus para novas emissões está paralisado. "As empresas terão dificuldade para rolar suas emissões com vencimento no curto prazo. A opção para as empresas que estão capitalizadas é liquidar a série em vencimento ou captar recursos no mercado interno, seja por emissões de dívida ou financiamento bancário, para honrar seus compromissos." No entanto, Podlubny lembra que a valorização do dólar encareceu o resgate dos papéis no mercado externo.

No primeiro semestre deste ano, as captações no mercado externo ainda estavam aquecidas com o dólar sendo negociado a patamares abaixo dos R$2. "Nesse ano estruturamos cerca de sete operações, que somaram US$100 milhões, sendo a última realizada em agosto, com a emissão de um bônus de três anos do Paraná Banco, a um cupom de juros semestral de 7,85%", afirma o executivo da Queluz. A BCP Securities também chegou a estruturar US$1 bilhão em emissões de bônus no mercado externo. "O momento é de cautela e as empresas estão aguardando a estabilização do mercado para realizar novas operações", diz. Gribel afirma que começa haver um interesse por parte das empresas para recomprar os bônus no mercado externo, mas que no momento a prioridade ainda é manter a liquidez do caixa, com a contração no mercado de crédito.

MERCADO SECUNDÁRIO
Por outro lado, a queda do preço elevou o retorno dos papéis, tornando-os mais atrativos. Gribel afirma que muitos investidores de private banking da Europa e Estados Unidos aproveitam a oportunidade para comprar bônus de empresas emergentes no mercado secundário. "Temos recebido demanda dos investidores estrangeiros para comprar papéis de empresas brasileiras como Petrobras e Sadia, cujo prêmio do bônus subiu muito após o anúncio das perdas com derivativos."

Além do cupom de juros, o investidor ganha com a diferença do preço negociado do papel em relação a seu valor de face, a ser pago pela empresa emissora na data de vencimento.


Fonte: Gazeta Mercantil
27/11/2008