Governo já estuda "PAC 2" para crescer na crise
 


Os R$503,9 bilhões previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, serão mantidos nesse período da crise. No entanto, ministros já afirmam que os recursos ainda deverão ser ampliados, dando lugar a um "PAC 2", que deverá ser aplicado no próximo ano para garantir que a economia brasileira cresça 4% em meio à crise.

A base do projeto seria ancorada, principalmente, no setor de mobilidade urbana, já prevendo uma melhora das alternativas viárias e de transporte público para a Copa do Mundo de 2014, que será sediada no País.

De acordo com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o Brasil vem caminhando bem nesse período da crise, tendo um crescimento dos investimentos nos últimos anos maior do que o Produto Interno Bruto (PIB), além de caminhar para um déficit nominal zero. "Entendemos que se seguisse a tendência da economia global, nosso crescimento para 2009 ficaria próximo dos 3,5%, mas o governo vai interferir para chegar aos 4%. Mantendo os investimentos do PAC e as previsões para a exploração do pré-sal". Segundo o ministro, o investimento em infra-estrutura será a "ancora" da economia brasileira no próximo ano. "Nesse momento de redução global de investimentos, o PAC será o motor da economia", salienta.

Bernardo afirma que mais projetos estão sendo adicionados ao programa desde a sua implementação - como o trem de alta velocidade ligando Campinas ao Rio de Janeiro - fazendo os recursos previstos chegarem a R$600 bilhões. "Iremos implementar um forte política de investimentos anticíclica para estimular o crescimento", acrescenta.

O ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, disse que o Brasil precisa colaborar com a solução da crise e não se tornar parte do problema. "Nesse momento é preciso não ficar parado e pensar no PAC 2, dando continuidade ao PAC da mobilidade urbana para a Copa do Mundo, onde muitos investimentos são esperados", afirma o ministro.

Almeida acrescenta ainda que o programa é um reflexo da intenção do governo de intervir no desenvolvimento. "Ele não é um projeto de prateleira. O Brasil vai virar um canteiro de obras em 2009", diz.

FOCO
Paulo Bernardo acrescentou que na última reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada nesta semana, ficou clara a determinação do Planalto em intervir no País de forma a prover o crescimento. Para complementar, o ministro fez menção ao Banco Central. "O Copom [Comitê de Política Monetária] tem que ter uma preocupação com a inflação, pois ela prejudica principalmente os mais pobres e desorganiza o sistema econômico. Porém, Lula deu o recado que o governo vai estimular o crescimento e acho que o Copom vai ter que 'pesar' essas vertentes", diz.

Para Bernardo, o fato da economia global não crescer no mesmo ritmo previsto para a economia brasileira, não interfere que o País surpreenda ainda mais em 2009. "Nós vamos crescer 4%. As economias que hoje estão em recessão já apresentam problemas há mais de um ano e nós crescemos nesse período a taxas de 5% [2007 e 2008]. Não há um atrelamento imediato. Cresceremos menos, mas não vamos parar", aposta.

PETROBRAS
O ministro do Planejamento, afirmou também que as críticas do senador Tasso Jereissati (PSDB) aos financiamentos tomados pela Petrobras, junto à Caixa Econômica Federal, são infundadas. "Gostaria de saber por que ele está criticando. A Petrobras é a maior empresa do Brasil, fez um empréstimo em condições normais de mercado e queria saber qual o motivo da crítica", comentou. "A oposição está meio sem discurso, e às vezes começa a inventar discurso para suprir essa deficiência sem analisar o que aconteceu. A empresa tem um peso enorme nos investimentos do Brasil e a Caixa é um banco. Acho estranho esse tipo de crítica. Para mim, sinceramente, é falta de conversa", ataca.

Segundo o ministro, "a Petrobras tem problema de caixa o tempo todo. Neste ano vai investir cerca de US$60 bilhões e, no ano que vem, será muito mais. Só para o pré-sal vai precisar de aproximadamente US$60 bilhões em 10 ou 12 anos. É um enorme problema de caixa, mas nós vamos resolvendo", afirmou.

Segundo o ministro, é estranho que algumas pessoas fiquem escandalizadas quando uma empresa como a Petrobras atua para manter seus investimentos. "Seria estranho se [a empresa] não estivesse agindo para investir."

INVESTIMENTO ESPANHOL
As afirmações dos ministros foram feitas ontem no 1º Seminário de Investimentos em Infra-Estrutura no Brasil e as Experiências da Espanha, promovido pela Câmara Española de Comércio en Brasil. Na ocasião, o embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, disse que o Brasil é visto pelo governo espanhol como um item importante do plano estratégico, inclusive, os governos realizam reuniões anuais para debater formas de cooperação em diferentes temas. "Temos vários projetos em comum", informa o representante.

A Espanha é um dos países que mais investe no Brasil. De acordo com os dados do Banco Central, no período de janeiro a outubro, os investimentos espanhóis no País somaram US$2,8 bilhões, contra US$2,1 bilhões aplicados em todo o ano passado. "As empresas espanholas definitivamente acreditam no Brasil, tanto nas potencialidades do País como no rumo da macroeconomia", conclui. No ranking dos países que mais investiram no Brasil em 2008, aparecem Estados Unidos, Luxemburgo e Espanha.

Pelo ponto de vista do presidente da Câmara Española de Comércio en Brasil, Ramón Sánchez Díez, a participação das empresas espanholas no investimento da infra-estrutura brasileira é fundamental nesse momento de crise. "A Espanha passou por uma grande influência da transformação da infra-estrutura nos últimos anos. Continuo otimista na continuidade dos investimentos das empresas espanholas no Brasil", conclui.

Os R$504 bilhões previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, serão ampliados para R$600 bilhões. Os novos recursos, que, segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, serão de quase R$100 bilhões, darão origem a um "PAC 2", que deverá ser aplicado no próximo ano para garantir que a economia brasileira cresça 4% em meio à crise. A base do projeto seria ancorada principalmente no setor de mobilidade urbana.


Fonte: DCI
28/11/2008