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"O mercado é quem irá determinar o montante, mas precisamos de algo entre US$25 milhões e US$30 milhões para investimentos". A frase foi dita há cerca de seis meses pelo representante do Conselho da Galena, Ranan Katz, quando apresentou o interesse de abrir o capital da companhia, que tem faturamento anual abaixo dos R$200 milhões. A alternativa, viável naquela época, é hoje descartada. "A empresa tem 20 anos. Já passamos por muitas crises, mas nunca vi uma assim", lamentou o executivo alguns dias atrás.
O que prometia ser um segmento que permitiria o acesso ao mercado de capitais por parte de médias empresas, o programa de listagem Bovespa Mais, foi ofuscado pelo colapso financeiro internacional. Em menos de quatro meses, a esperança de captação por meio da oferta primária de ações, os chamados IPOs, para três companhias de segmentos diferentes de atuação foi anulada por causa da debandada dos investidores estrangeiros - responsáveis por 70% da demanda pelos papéis em situações como essa. Em junho de 2008, Galena, BRQ e Teikon foram à sede da BM&F Bovespa para mostrar o interesse de abertura de capital e conhecer melhor os procedimentos. Agora, buscam alternativa para lidar com momento: de financiamento via fundos de private equity a preservação de caixa. Afinal, os negócios têm de continuar.
"Os bancos sumiram. Desde 1º de outubro, não disponibilizam um único real para nossa e para as demais empresas", detalhou Katz. A companhia, que atua como fornecedora de matérias-primas farmacêuticas há 20 anos e possui clientes como a Medley, deu início neste ano ao lançamento de seus próprios produtos, que demandou investimento inicial entre US$5 milhões e US$7 milhões. Os US$25 milhões restantes, portanto, são necessários para dar continuidade ao processo de ampliação, que deve durar cinco anos. Com a falta de recursos, uma alternativa encontrada pela diretoria da empresa foram as parcerias com fundos de private equity nacionais e europeus e, inclusive, a criação de uma joint venture com companhia europeia. "Antes mesmo de pensarmos na alternativa, os gestores começaram a me ligar. Choveram ligações. O private é uma das únicas fontes que estamos vendo", adicionou Katz, explicando que o negócio deve sair no primeiro trimestre deste ano.
"Precisamos buscar alternativas para nosso projeto não morrer. Estamos conseguindo colocar nossos produtos em grandes redes de varejo. Nosso projeto continua", comentou. A empresa financiava, antes da tormenta, seu capital para exportação com juro anual médio de 7,03%. Depois das linhas simplesmente sumirem em outubro, elas reapareceram timidamente entre novembro e dezembro, com custo variando entre 15% e 20% ao ano. "Os franceses estão entrando em recessão, assim como os americanos e os alemães. Então, as empresas grandes colocação o pé no freio no mundo inteiro. É uma belíssima oportunidade para nós. Em 2009 eles pensarão no que fazer. E nós iremos fazer", disse, otimista. A Galena faturou R$92 milhões no ano passado, com meta de atingir R$100 milhões em 2008. O IPO foi descartado no longo prazo, mas não sai da meta da empresa.
ALTERNATIVA NULA Diferentemente da Galena, a alternativa da listagem em bolsa de valores é praticamente nula para a BRQ, empresa especializada no desenvolvimento de softwares personalizados. Com grande número de bancos entre seus clientes - a empresa chegou perto de fechar um contrato com o norte-americano Lehman Brothers uma semana antes de sua falência ser anunciada, em setembro - a companhia preserva seu caixa para fortalecer seu papel como consolidadora. Antes da crise, três concorrentes estavam em sua mira para aquisição. Hoje, são cinco. A diferença, explica o presidente da empresa, Benjamin Quadros, é que agora, está fácil de conseguir negócios mais baratos.
A empresa faturou R$150 milhões em 2007. Em 2008, os ganhos atingiram cerca de R$200 milhões, com caixa para investimentos entre R$9 milhões. Em 2009, ambas as cifras devem avançar na casa dos 20% a 30%. "Tecnologia da informação é um setor interessante, porque precisava de eficiência", ponderou Quadros. A BRQ adquiriu, em 2008, uma concorrente na cidade norte-americana de Nova York e abriu um escritório em Fortaleza. Depois da crise, abriu unidades em Recife, Salvador e em Madrid, na Espanha, além de manter presença no Paraná, em São Paulo e no Rio. "Estamos apostando que a crise não vai chegar em TI. Em momentos como este, alguns choram. Outros vendem lenços", comparou.
Já contando com fundos de participação em sua composição - entre eles o BNDESPar - a Teikon, industrializadora de produtos eletrônicos sob encomenda, optou pela injeção de capitais de seus sócios para a diminuição da alavancagem e manutenção do processo de investimento. Até setembro, a idéia de seus administradores era de que seu capital fosse aberto já no primeiro trimestre de 2009. Passado o que o presidente do Conselho de Administração da Teikon, Ricardo Felizzola, caracterizou como um tsunami no mercado de capitais, a idéia foi postergada para, pelo menos, 2010. A companhia possui plantas industriais em Porto Alegre, Curitiba e em Manaus, além de escritórios na China.
Um desejo dos executivos é ampliar sua participação em grandes centros, como São Paulo. "Em um primeiro momento, avaliamos os estragos que a crise trouxe ao mercado de eletroeletrônica. Eu diria que foi bastante, porque o novo patamar do dólar cria uma espécie de postergação no fluxo de produção", comentou o executivo, que apesar disso, informou que a empresa, que faturou R$115 milhões em 2007, apresentou um crescimento próximo dos 40% ano passado. "Claro que tivemos no último trimestre problemas de ajuste, poderíamos ter um ano bem melhor, mas estamos otimistas em relação a 2009", garantiu, prevendo um avanço em torno de 20% a 30% para 2009. "Voltando ao exemplo do tsunami: o mar já recolheu, mas ainda não voltou ao nível que queremos e precisamos. Enquanto ainda tem detritos espalhados pelo chão, não conseguimos pensar em abertura de capital. Mas a empresa continua em expansão", disse.
Fonte: DCI 13/01/2009 |